Universidade abre programação do Abril Indígena com debate sobre ancestralidade, acesso e permanência

A UFPE, por meio da Diretoria de Ações Afirmativas (DAA), em parceria com o Núcleo de Políticas de Educação para as Relações Étnico-Raciais (Núcleo Erer), promove na próxima terça-feira (14), às 14h, a cerimônia oficial de abertura do Abril Indígena.

O evento será realizado no Auditório Reitor João Alfredo, localizado no prédio da Reitoria, e terá como tema “Caminhos da ancestralidade na Universidade: fortalecendo o acesso e a permanência indígena na UFPE”.

O evento tem como objetivo promover um espaço de diálogo e escuta ativa, de modo a refletir sobre como a universidade pode se consolidar como um território de acolhimento, respeito e valorização dos saberes ancestrais. A iniciativa é construída coletivamente com o Coletivo de Alunos Indígenas e unidades parceiras e tem como público-alvo os estudantes e servidores da UFPE, bem como o público interessado na temática.

Biodigestores transformam resíduos da suinocultura em biogás e reduzem custos para criadores do Agreste

Equipamentos instalados em pequenas propriedades transformam resíduos da suinocultura em energia e fertilizante. Com investimento de mais de R$ 320 mil, projeto do Sebrae e da Adepe beneficia 20 produtores em quatro municípios da região

Moradora do Sítio Una do Simão, em São Bento do Una, a suinocultora Cleidiane Souza de Almeida está utilizando, em sua casa, o gás gerado por um biodigestor: abastecida com resíduos da criação de suínos, a tecnologia tem garantido economia de gás de cozinha. Além disso, os resíduos do processo de biodigestão são aplicados como adubo nas plantações de palma e milho. Em média, um biodigestor pode produzir o equivalente a entre dois e quatro botijões de gás por mês.

Na suinocultura, o biodigestor transforma os dejetos dos animais em biogás e fertilizante natural, reduzindo gastos com energia, adubo e manejo ambiental. A implantação dessa tecnologia faz parte do projeto “Fortalecimento da suinocultura sustentável: inovação e valor na produção do Agreste Meridional”, desenvolvido pelo Sebrae/PE, em parceria com a Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe).

Cleidiane, que começou a criar suínos em 2020 e hoje tem dez matrizes e 40 porcos para engorda, já percebeu melhorias na produção. “Tive uma economia muito grande com o gás de cozinha porque agora usamos o gás do biodigestor. Para isso, todos os dias eu coloco dois ou três baldes de dejetos dos animais para abastecer o equipamento. E depois ainda uso o que sobra do biodigestor como adubo na plantação”, detalha. Além dela, outros 19 pequenos produtores estão sendo beneficiados em São Bento do Una, Lajedo, Canhotinho e Tupanatinga.

Criador no Sítio Lagoa de Baixo, no município de Tupanatinga, o produtor Jakelson do Nascimento Silva cria suínos há sete anos e também comemora os benefícios do biodigestor. “Além de suínos, eu também crio vacas e uso os dejetos dos dois rebanhos no equipamento. E eu economizo utilizando o gás do biodigestor, que já sai direto para a cozinha”, conta Jakelson, que cria as matrizes e vende os porquinhos para recria.

SUINOCULTURA SUSTENTÁVEL

As atividades do projeto começaram em maio de 2025 e seguem até março deste ano. Durante esse período, os suinocultores tiveram acompanhamento técnico nas suas propriedades para a melhoria da produção, além de consultoria para implantação dos biodigestores.

Os produtores também tiveram um dia de campo na Granja JW Aleixo, em Canhotinho, para conhecer a estrutura e aprender sobre a reprodução de suínos. A iniciativa inclui ainda capacitação prática para garantir o uso correto e o máximo aproveitamento da tecnologia.

Lucas Araújo, especialista em Agronegócios do Sebrae/PE, explica que, além de gerar biogás e adubo, o biodigestor ainda permite o tratamento adequado dos dejetos produzidos pelos suínos, evitando a contaminação do solo e da água. “O biodigestor é uma solução prática e econômica, contribuindo para a melhoria das condições sanitárias, o aumento da produtividade e a sustentabilidade das pequenas propriedades familiares. Entre as metas do projeto estão a redução, em até 15%, dos custos de produção, e a redução, em 12%, do tempo de animais disponíveis para abate, pela melhoria nas condições sanitárias”.

CENÁRIO

De acordo com o IBGE, o rebanho de suínos em Pernambuco era de 160.532 cabeças em 2024, sendo São Bento do Una o município com maior produção. A cadeia da suinocultura no Agreste Meridional é ainda uma subatividade complementar à bovinocultura de leite e requer aperfeiçoamento das práticas entre pequenos produtores.

De acordo com o Sebrae/PE, os desafios para o desenvolvimento da suinocultura em Pernambuco envolvem a melhor compreensão dos custos de produção e dos potenciais de expansão da atividade; a aplicação técnica adequada no manejo reprodutivo, sanitário e alimentar; e o baixo investimento na sustentabilidade ambiental, especialmente na gestão de resíduos. Além, claro, da busca por novos mercados consumidores.

Prisão de Ramagem é fruto da cooperação entre Brasil e EUA, diz PF

A Polícia Federal (PF) informou, em nota, que a prisão de Alexandre Ramagem pelo serviço de imigração dos Estados Unidos, o ICE, decorreu “de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”.

Segundo a PF, Ramagem foi detido na cidade de Orlando.

“Prisão é fruto da cooperação policial internacional entre Brasil e Estados Unidos no combate ao crime organizado”, diz a PF, em nota.

“O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, acrescentou.

O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi informado.

Condenação

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.

Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol. O governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem. O pedido foi entregue ao Departamento de Estado no final de dezembro de 2025.

Depoimento
Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.

Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal, e foi demitido após a condenação.

ICE prende Alexandre Ramagem nos Estados Unido

Rio de Janeiro (RJ) 17/07/2024 – O delegado federal Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Informações (Abin) e pré-candidato à Prefeitura do Rio, presta depoimento na Polícia Federal, que investiga possível uso ilegal de sistemas para espionar autoridades e desafetos políticos no governo Jair Bolsonaro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) está sob custódia do serviço de imigração e alfândega dos EUA, conhecido pela sigla ICE (ICE U.S. Immigration and Customs Enforcement).

O nome de Ramagem aparece no site do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos com a situação “sob custódia do ICE”. O local de detenção não foi informado.

13/04/2026 - U.S. Immigration ad Customs Enforcement. Alexandre Ramagem Rodrigues. Foto: Print/U.S Immigration

Condenação

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem fugiu do Brasil após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 16 anos, 1 mês e 15 dias de prisão por tentativa de golpe de Estado, organização criminosa e abolição do Estado Democrático de Direito.

Proibido de sair do país, o ex-deputado saiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

O nome de Ramagem consta na lista de foragidos procurados da Interpol. O governo brasileiro, por meio da Embaixada do Brasil em Washington, solicitou aos Estados Unidos a extradição de Alexandre Ramagem, no final de dezembro de 2025. O pedido foi entregue ao Departamento de Estado.

Depoimento

Em fevereiro, Ramagem prestou depoimento, por videoconferência, ao STF na ação penal da trama golpista que estava suspensa e voltou a tramitar após ele perder o mandato.

Ramagem foi diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022) e perdeu o mandato parlamentar em dezembro de 2025, por ato da Mesa Câmara em razão de condenação no Supremo Tribunal Federal.

Alexandre Ramagem era delegado de carreira da Polícia Federal e foi demitido após a condenação.

Dólar fecha abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos

Dólar

O dólar fechou abaixo de R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, enquanto a bolsa brasileira renovou recordes e superou os 198 mil pontos nesta segunda-feira (13).

Mesmo com o início do bloqueio do Estreito de Ormuz pelos Estados Unidos, o clima no mercado financeiro melhorou após declarações do presidente Donald Trump sobre um possível acordo com o Irã.

A moeda estadunidense encerrou o dia em queda, acompanhando o movimento no exterior, enquanto a bolsa brasileira avançou impulsionada por ações de commodities (bens primários com cotação internacional) e pelo fluxo de capital estrangeiro.

Câmbio recua

O dólar comercial à vista fechou a R$ 4,997, em baixa de R$ 0,014 (-0,29%). A cotação está no menor valor desde 27 de março de 2024. Na mínima do dia, por volta das 14h20, chegou a R$ 4,98.

No mês, a divisa acumula queda de 3,51%. Em 2026, o recuo chega a 8,96%.

Após subir no início do dia, refletindo as tensões no Oriente Médio, o dólar perdeu força ao longo da tarde. A mudança de direção ocorreu após Trump afirmar que o Irã estaria interessado em negociar.

No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho da moeda estadunidense diante de uma cesta de divisas fortes, também recuou, reforçando o movimento observado no Brasil.

O euro comercial fechou esta segunda vendido a R$ 5,876, com baixa de apenas 0,02%. A cotação está no menor valor desde o fim de junho de 2024.

Recorde histórico no Ibovespa

Na bolsa brasileira, o Ibovespa avançou 0,34% e fechou aos 198.001 pontos, atingindo o maior nível da história. Durante o pregão, o índice chegou a superar os 198.100 pontos.

O desempenho foi sustentado principalmente por ações de grandes empresas ligadas a commodities, como mineração e petróleo, além da entrada contínua de recursos estrangeiros. No mês, o índice acumula alta de 5,62% e, no ano, ganhos de 22,89%.

O movimento positivo no Brasil acompanhou o desempenho das bolsas em Nova York, que também reagiram às sinalizações de distensão geopolítica.

O índice Dow Jones, das empresas industriais, subiu 0,63%. O S&P 500, das 500 maiores companhias, ganhou 1,02% e anulou as perdas desde o início da guerra no Oriente Médio. O Nasdaq, das empresas de tecnologia, avançou 1,23%.

A expectativa de retomada das negociações entre Estados Unidos e Irã ajudou a reduzir a aversão ao risco nos mercados globais.

Petróleo abaixo de US$ 100

Os preços do petróleo avançaram, impulsionados pelas tensões no Oriente Médio e pelo bloqueio de portos iranianos pelos Estados Unidos.

O barril do tipo Brent, referência internacional, fechou em alta de 4,36%, a US$ 99,36, enquanto o WTI, do Texas, subiu 2,6%, a US$ 99,08.

Durante a maior parte do dia, ambas as cotações ficaram acima de US$ 100, mas desaceleraram após as declarações de Trump.

A volatilidade continua elevada, com investidores atentos aos desdobramentos no Estreito de Ormuz, região estratégica para o fluxo global de petróleo.

Quando a praça cura: o que a ciência revela sobre os espaços públicos e a saúde mental dos idosos

Por Marcelo Rodrigues

Há algo de profundo e silencioso acontecendo nas praças das cidades brasileiras todas as manhãs. Enquanto o país envelhece em ritmo acelerado, esses espaços — muitas vezes negligenciados pelo poder público — seguem funcionando como verdadeiros territórios de saúde coletiva, especialmente para quem já completou mais de seis décadas de vida. Não é exagero afirmar que, em muitos casos, a praça do bairro faz o que a política pública ainda não conseguiu: oferecer pertencimento, movimento e sentido ao cotidiano de milhões de pessoas idosas.

Os números são reveladores. Desde 1950, o crescimento populacional, a urbanização acelerada e o aumento da expectativa de vida transformaram de forma radical países como o Brasil. Segundo projeções demográficas da Organização das Nações Unidas, o número de brasileiros com 60 anos ou mais deverá superar a população de jovens entre 0 e 14 anos já em 2029. Esse horizonte cada vez mais próximo impõe uma urgência que o urbanismo e as políticas públicas ainda não internalizaram completamente: as cidades precisam ser repensadas à luz do corpo que envelhece.
Nesse contexto, um estudo realizado em Fortaleza lança luz sobre a importância dos espaços públicos para a saúde mental da população idosa. A pesquisa “Longevidade, Acessibilidade Urbana e Conforto Ambiental” acompanhou 236 pessoas idosas em três praças distintas da capital cearense, combinando medições técnicas e quantitativas — como acessibilidade, iluminação, nível de ruído, qualidade do ar e conforto térmico — com entrevistas qualitativas que captaram a experiência subjetiva dos frequentadores. O resultado aponta para uma relação mais complexa do que se poderia imaginar: mesmo diante de falhas concretas de infraestrutura, as praças continuam sendo espaços fundamentais de afeto, espiritualidade, pertencimento e vitalidade.

Os próprios participantes da pesquisa não pouparam críticas objetivas aos espaços: calçadas danificadas, raízes de árvores expostas que criam desníveis perigosos, lixo no chão e iluminação insuficiente foram apontados como falhas recorrentes. Não se trata de detalhes menores. Em uma cidade que envelhece como Fortaleza — com mais de 261 mil pessoas idosas — esses obstáculos físicos representam uma ameaça direta à autonomia e à independência de quem precisa circular com segurança. Cada calçada quebrada é uma queda em potencial; cada desnível não sinalizado é uma barreira invisível que afasta o idoso do espaço público.

Ainda assim, a maioria dos entrevistados relatou sentimentos predominantemente positivos ao frequentar as praças. O convívio social emergiu como o fator central dessas experiências. Caminhar no início da manhã, sentar-se ao fim da tarde, conversar com conhecidos e observar o movimento ao redor foram descritos como práticas que mantêm o corpo ativo e a mente presente. A praça, nesse sentido, não é apenas equipamento urbano — é um elo entre o indivíduo e a cidade, uma extensão da própria casa para quem já se aposentou e encontra no espaço coletivo uma razão para sair.

A ciência corrobora essa percepção. Evidências acumuladas associam a permanência frequente em áreas abertas à redução de sintomas de ansiedade, à melhora na qualidade do sono e ao fortalecimento da memória e da atenção. Em um país marcado por desigualdades profundas no acesso aos serviços de saúde, qualificar e fortalecer o espaço público deixa de ser apenas uma demanda estética ou urbanística para se tornar uma estratégia preventiva concreta — e de baixo custo.

O geógrafo Milton Santos cunhou a expressão “cidadania mutilada” para descrever como a urbanização desigual restringe o acesso real das pessoas aos benefícios da vida urbana. Os dados confirmam essa leitura de forma perturbadora: em São Paulo, a expectativa de vida entre um bairro e outro pode variar até 24 anos. Em Fortaleza, essa variação chega a 21 anos. O desenho da cidade, portanto, não é neutro. Ele molda comportamentos cotidianos, condiciona a saúde mental e determina, na prática, de que forma corpos diferentes — incluindo os que envelhecem — vivenciam e participam da vida urbana.

As praças sempre ocuparam lugar central na vida das cidades. Desde a Antiguidade, foram concebidas como espaços de encontro, de circulação e de convivência. Nas cidades brasileiras contemporâneas, esse papel persiste, mas enfrenta o descaso de gestões que ainda não compreenderam o envelhecimento populacional como prioridade de planejamento urbano. Investir na manutenção, acessibilidade e qualidade ambiental das praças não é gasto supérfluo: é uma das formas mais eficazes — e mais humanas — de cuidar da saúde de quem construiu este país.

Marcelo Rodrigues, é advogado especialista em direito ambiental e urbanístico, consultor técnico em sustentabilidade da Prefeitura Municipal de Caruaru, ex-Secretário de Meio Ambiente do Recife.

Delegado da PF é filmado furtando supermercado em shopping no Recife

Um delegado da Polícia Federal lotado em Pernambuco foi flagrado furtando um item avaliado em R$ 300 em um supermercado no shopping RioMar, no bairro do Pina, Zona Sul do Recife. A ação, na última quarta-feira (8), foi registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento.

No vídeo, o suspeito, identificado como Erick Ferreira Blatt, de 50 anos, aparece em frente a uma prateleira, pegando um item pequeno e colocando em um carrinho de compras. Em seguida, ele se dirige a uma mesa na área da padaria, onde senta e, após alguns instantes, coloca o produto no bolso da bermuda. As informações são do Diário de Pernambuco.

Depois, vai ao caixa, paga por outras mercadorias e deixa o supermercado. Na saída, é abordado por seguranças, que o conduzem de volta ao estabelecimento. As imagens seguintes mostram ele retirando o produto do bolso e entregando a um segurança, que o revista. Segundo a TV Globo, o delegado tentou furtar um vidro de carpaccio de trufa.

Quem é o delegado

Blatt é delegado da PF desde 2006. Em 2020, quando atuava no Rio, ele isentou o senador Flávio Bolsonaro (PL) em uma investigação da PF que apurava se o parlamentar tinha cometido lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral em declarações de bens à Justiça Eleitoral. Na época, o colunista Guilherme Amado publicou que os dois se conheciam há cerca de sete anos.

Investigação

Em nota, a Polícia Civil disse que Erick Blatt foi conduzido à Delegacia de Boa Viagem para prestar esclarecimentos. O caso está sendo investigado como “furto em estabelecimento comercial”.

A Superintendência da Polícia Federal em Pernambuco informou que foi instaurado “procedimento de natureza disciplinar com vistas a rigorosa apuração pela Corregedoria Regional”.

O Diario não localizou a defesa do delegado. O espaço está aberto.

A armadilha que Lula pode ter criado para si mesmo na eleição

Por Bernardo Mello Franco
Do jornal O Globo

Rumo à sétima campanha presidencial, Lula deixou escapar uma preocupação com os debates de TV. “Eu não sei quantos candidatos vai ter do lado de lá”, comentou, na quarta-feira. O petista disse que preferia participar de encontros “sem tanta regra”. “Quem sabe não precisa ser todo mundo junto, quem sabe faz uma mistureba?”, sugeriu, em entrevista ao ICL Notícias.

Pela lei eleitoral, outros três pré-candidatos têm lugar garantido nos debates: Flávio Bolsonaro (PL), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante). Eles são filiados a partidos que elegeram ao menos cinco congressistas em 2022. As emissoras também podem convidar representantes de legendas nanicas que pontuarem bem nas pesquisas. Em tese, poderá ser o caso de Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão).

Com três, quatro ou cinco rivais, o petista caminha para ficar isolado no ringue televisivo. Todos os oponentes estarão “do lado de lá”, e tendem a se revezar em ataques ao presidente que busca a reeleição.

Lula não terá a quem culpar. Foi ele quem definiu a estratégia de barrar outras candidaturas na esquerda e na centro-esquerda. Partidos como PDT e PSOL, que têm tradição de lançar presidenciáveis, foram convencidos a apoiá-lo desde o primeiro turno. O PSB se manteve na chapa em troca da permanência de Geraldo Alckmin como vice.

Em busca de votos do centro, presidente ainda ensaiou oferecer a vaga ao MDB, mas esbarrou num manifesto de 17 diretórios estaduais contra a aliança. Terá que se contentar com apoios regionais no Norte e no Nordeste. O mesmo vale para o PSD: a sigla lançou Caiado, mas autorizou as seções locais a se dividirem entre Lula e Flávio.

O “todos contra um” nos debates não será a única consequência da estratégia escolhida pelo presidente. Ao bloquear o surgimento de adversários no campo progressista, Lula pode ter criado uma armadilha para si mesmo no segundo turno.

No cenário de hoje, todos os rivais tendem a pedir votos para o primogênito de Bolsonaro. Lula teria dificuldade para repetir o efeito frente ampla de 2022, quando recebeu apoio declarado de Simone Tebet e envergonhado de Ciro Gomes.

Desta vez, o presidente deve encontrar pouco espaço para ampliar a votação num segundo turno. Como escreveu no Globo o pesquisador Mauricio Moura, isso o obrigará a fazer o possível para liquidar a fatura em 4 de outubro. Seria um feito inédito: nas cinco vezes em que levou a Presidência, o PT jamais conseguiu vencer no primeiro turno.

O ocaso do Tucanistão

Pela primeira vez, o PSDB admite não lançar candidato ao governo de São Paulo. O partido venceu sete eleições consecutivas no estado entre 1994 e 2018. Nos últimos anos, foi devorado pelo bolsonarismo e viu prefeitos e deputados migrarem em massa para o PSD, de Gilberto Kassab.

Sem nomes competitivos para o Palácio dos Bandeirantes, os tucanos agora negociam apoiar Kim Kataguiri, o deputado tiktoker do MBL.

O que diria Mario Covas?

Em meio a tensão com o União Progressista, prefeito de Toritama, “construção de pontes” com Raquel Lyra

Em meio às tensões recentes envolvendo o União Progressistas, mas precisamente a ala do PP, e a governadora Raquel Lyra (PSD), o prefeito de Toritama, Serginho Colin, adotou um tom conciliador e defendeu a construção de unidade política em torno da governadora Raquel Lyra. Durante agenda no Agreste o gestor minimizou os ruídos na relação e afirmou que o momento exige consenso para “construir pontes” e não ampliar divergências.

Aliado tanto da governadora quanto do deputado federal Eduardo da Fonte, Serginho se colocou como um articulador dentro desse cenário, destacando que sua posição é de diálogo entre as forças políticas. Segundo ele, a formação da federação entre PP e União Brasil impõe uma nova dinâmica, que passa necessariamente pela conversa e pelo alinhamento estratégico visando a continuidade do projeto estadual.

O prefeito reforçou que o partido teve papel decisivo desde o início da gestão de Raquel, especialmente na Assembleia Legislativa, contribuindo para a aprovação de matérias importantes e sustentando politicamente o governo. Nesse contexto, defendeu que a prioridade deve ser a manutenção da aliança e o fortalecimento de um projeto conjunto para Pernambuco.

Ao projetar o cenário eleitoral, Serginho foi enfático ao apostar na reeleição da governadora, destacando os investimentos em infraestrutura e ações voltadas ao desenvolvimento do Estado, com ênfase no Polo de Confecções do Agreste.

Em relação ao avanço da federação, o gestor comemorou os resultados da janela partidária, afirmando que o grupo saiu fortalecido, com expectativa de ampliar significativamente suas bancadas tanto na Assembleia Legislativa quanto na Câmara dos Deputados. Ele também reforçou o projeto de candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado, defendendo uma renovação na Casa com foco em pautas municipalistas e na área da saúde.

Apesar das movimentações recentes e especulações sobre possíveis rupturas, o discurso de Serginho Colin sinaliza uma tentativa de distensionar o ambiente político e manter o grupo governista coeso para as eleições que se aproximam.

Violência sexual aumenta riscos cardiovasculares em mulheres

Rio de Janeiro - Grupo faz passeata pelas ruas da Lapa em defesa dos direitos das mulheres e contra a violência (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

As meninas e mulheres vítimas de violência sexual não sofrem apenas os danos físicos e psicológicos imediatos. Esses eventos podem aumentar em 74% a chance de que elas desenvolvam problemas cardíacos, de acordo com um estudo baseado em dados oficiais brasileiros.

A pesquisa foi publicada na revista Cadernos de Saúde Pública e traz também uma análise por doenças de forma individualizada. Mulheres que sofreram violência sexual apresentaram maiores níveis de infarto do miocárdio e arritmias, em comparação com mulheres que não sofreram. Já nos casos de angina e insuficiência cardíaca não houve discrepâncias significativas.

O pesquisador do programa de pós-graduação em Saúde Pública da Universidade Federal do Ceará, Eduardo Paixão, explica que as conclusões foram obtidas aplicando ferramentas estatísticas aos dados da Pesquisa Nacional de Saúde, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2019.

A Pesquisa Nacional de Saúde é o principal levantamento oficial sobre a saúde da população brasileira, feito a partir de mais de 70 mil entrevistas que são representativas da população brasileira. Entre os diversos assuntos, investigou tanto a ocorrência de violência sexual, quanto de doenças cardíacas, o que possibilitou o cruzamento dessas duas variáveis.

Como diversas questões podem influenciar a ocorrência de doenças cardiovasculares, a equipe de pesquisa também usou ferramentas estatísticas para bloquear a interferência da idade, cor da pele, orientação sexual, escolaridade e região de habitação. Assim, foi possível ter certeza de que o aumento observado foi provocado pela violência sofrida.

Impactos
Eduardo Paixão diz que, na maioria das vezes, as pessoas pensam apenas na saúde mental, quando querem investigar os efeitos da violência sexual, mas o trauma pode repercutir em outras áreas.

“A gente sempre pensa em explicações biológicas para as doenças, mas a saúde humana perpassa por muitas interações sociais que impactam o nosso bem-estar. Estudo em outros países já vinham mostrando uma associação muito forte, especialmente quando essa violência ocorre na infância e adolescência, às vezes com repercussões ao longo da vida”, explica Paixão.

A hipótese do grupo de pesquisa é que a violência aumente o risco cardiovascular por uma combinação de fatores biológicos e comportamentais, a começar pelos quadros de ansiedade e depressão, comuns em vítimas, e que têm relação com males cardíacos. Esse estresse também causa efeitos fisiológicos.

“Ele aumenta a inflamação do nosso organismo, com a ativação de toxinas que podem acelerar esse processo de doença cardiovascular. Experiências traumáticas também podem alterar a pressão arterial e a frequência cardíaca”, explica o pesquisador.

Paixão também relata que quem vivencia experiências de violência, sejam de forma isolada ou repetitiva, pode ter maior chance de desenvolver atos danosos para a saúde, como tabagismo, alcoolismo, uso de entorpecentes, alimentação inadequada, sedentarismo, que também aumenta os. riscos cardiovasculares.

O pesquisador ressalta que a violência sexual, em si, se revela um problema de saúde pública no Brasil. À PNS, por exemplo, 8,61% das mulheres relataram ter sofrido ao menos alguma violência do tipo ao longo da vida, contra 2,1% dos homens.

Mas esse tipo de violência ainda é bastante subnotificada, especialmente entre homens, porque nem todas as pessoas reconhecem o que sofreram ou se sentem confortáveis para admitir, ele ressalva. Essa é a principal razão para a pesquisa não ter identificado aumento na ocorrência de doenças cardiovasculares também em homens vítimas, na opinião do pesquisador.

Para ele, o grande benefício da pesquisa é apontar um fator que merece a atenção tanto de quem trabalha com vítimas de violência, quanto dos profissionais que atendem pessoas com doenças cardiovasculares.

“E essas são as doenças com a maior carga global. São muitas internações e gastos com procedimentos. Talvez, se a gente conseguir intervir em fatores de vida modificáveis, a gente consiga diminuir essa incidência”, conclui o pesquisador.