Ceaca divulga cotação semanal com estabilidade na maior parte dos produtos

A Central de Abastecimento de Caruaru (Ceaca) avaliou cerca de 70 produtos na cotação desta semana, apresentando predominância de estabilidade nos preços, com variações pontuais entre frutas, verduras, legumes e temperos. A maior parte dos itens analisados manteve o valor anterior, demonstrando equilíbrio no abastecimento e regularidade da oferta.

Entre os produtos que permaneceram com o mesmo preço, destacam-se itens bastante consumidos no dia a dia, como abacaxi, abóbora, alface, alho nacional, batatinha, pepino, pimentão verde, couve-flor, fava, feijão verde, laranja pera, quiabo, repolho roxo e uva Itália, reforçando a estabilidade para o consumidor.

Já entre os produtos que registraram queda, os destaques ficam para a tangerina cravo, com redução significativa em torno de 38%, além da romã (-17%), banana anã (-13%) e maçã nacional (-8%). As diminuições refletem boas condições de oferta em algumas safras e favorecem o comércio local.

Por outro lado, alguns itens apresentaram aumento no comparativo semanal. Entre os maiores reajustes estão a batata doce roxa ML (+67%), a beterraba (+67%), além da melancia (+21%) e do melão espanhol (+21%). Também aparece com crescimento moderado a goiaba, que subiu cerca de 14%.

De acordo com a Ceaca, as variações são normais para o período e acompanham fatores como clima, produção regional e logística, enquanto a estabilidade predominante demonstra oferta regular e boa circulação de alimentos no entreposto.

A Ceaca está localizada na Avenida José Pinheiro dos Santos (BR 104), bairro Cidade Alta. Contato: 81 98945-4151

Feiras de Caruaru ocorrerão normalmente no feriado deste sábado (15)

A Secretaria de Serviços Públicos (Sesp) e a Secretaria Executiva do Parque 18 de Maio informam que as feiras livres de bairro e a feira de frutas e verduras do Parque 18 de Maio serão realizadas normalmente no próximo sábado (15), feriado de Proclamação da República.

A decisão foi tomada após diálogo com os feirantes, que optaram por manter o dia e horário habituais de comercialização. As feiras que funcionarão neste sábado são: Luiz Gonzaga, Cachoeira Seca, Canaã, Salgado, Boa Vista e Parque 18 de Maio.

Caruaru amplia ações de formação para fortalecer a agricultura familiar

A Prefeitura de Caruaru está reforçando o apoio às comunidades rurais com a realização do curso “Organização e Participação Comunitária: construindo autonomias para o desenvolvimento rural sustentável”, promovido pela Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) em parceria com o Núcleo de Estudos, Pesquisa e Extensão em Agroecologia, Campesinato e Sustentabilidade do Instituto Federal de Pernambuco (NEPEACS/IFPE). As datas da formação foram atualizadas, garantindo melhor adequação às agendas das comunidades participantes.

A formação agora acontecerá nos dias 25 de novembro, 2 e 9 de dezembro, reunindo agricultores familiares, assentados da reforma agrária e comunidades quilombolas. Com 40 horas de atividades, o curso utiliza metodologias participativas, como o método Camponês a Camponês, estimulando soluções coletivas para desafios produtivos, sociais e ambientais.

As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLScxoMlV6e1DJAZm80D8ipkuNuMW8l53fZrkd2je8DWYbzGV6Q/viewform

“Essa parceria reforça o compromisso da gestão em apoiar o desenvolvimento rural de forma sustentável, valorizando o conhecimento das comunidades e estimulando a autonomia das famílias agricultoras”, destacou o secretário de Desenvolvimento Rural, Weslley Nascimento.

Neoenergia Pernambuco moderniza rede elétrica em Brasília Teimosa e beneficia mais de 7 mil clientes

A Neoenergia Pernambuco está em fase de conclusão de uma importante obra de modernização da rede de distribuição de energia no bairro de Brasília Teimosa, localizado na Zona Sul do Recife. A iniciativa faz parte do compromisso da companhia com a melhoria contínua da qualidade do fornecimento de energia, segurança da população e combate às ligações clandestinas.

Com investimento superior a R$ 15 milhões, a ação contemplou a renovação de aproximadamente 11 quilômetros de rede elétrica — sendo 5 km de média tensão e 6 km de baixa tensão. Além disso, foram substituídos 335 postes e instalados 47 novos transformadores, ampliando a capacidade e a confiabilidade do sistema.

A obra beneficiou diretamente cerca de 7 mil clientes da região, incluindo 1.050 consumidores que estavam utilizando ligação irregular e foram regularizados, passando a ter acesso seguro à energia elétrica.

O projeto trouxe uma série de melhorias técnicas e operacionais. Toda a rede foi substituída por uma estrutura mais compacta e protegida, adequada à carga atual da área, o que contribui para evitar interrupções no fornecimento de energia e danos a equipamentos. Também foram atualizados 100% dos medidores.

Além disso, o novo sistema é mais robusto no combate às ligações irregulares, com proteções reforçadas que aumentam a segurança dos moradores e reduzem riscos de acidentes.

“A modernização da rede em Brasília Teimosa é um marco importante para a Neoenergia Pernambuco. Estamos investindo em tecnologia e infraestrutura para garantir energia de qualidade, com mais segurança e confiabilidade para os nossos clientes”, afirma Cláudio Marcelo Freitas, supervisor operacional da distribuidora.

A ação integra o plano estratégico da distribuidora para fortalecer o sistema elétrico, contribuindo para o desenvolvimento social e econômico da região.

Quilombo Serra Verde recebe Quintal Produtivo com Tecnologias Sustentáveis em Mutirão Agroecológico

O Quilombo Serra Verde recebeu na segunda (10) a implantação de um Quintal Produtivo Biofortificado e Agroecológico, fruto da parceria entre a Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e o Instituto Federal de Pernambuco (IFPE), através do Mutirão Agroecológico (Maeco).

A atividade reuniu estudantes, técnicos e agricultores em um mutirão que colocou em prática tecnologias sustentáveis e de baixo custo, como canteiros econômicos e a espiral de ervas medicinais, ampliando a produção, fortalecendo o manejo agroecológico e estimulando o resgate da medicina tradicional.

O Quintal reúne diversidade de cultivos e práticas que favorecem a qualidade nutricional dos alimentos, a regeneração dos solos e a segurança alimentar das famílias quilombolas.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Weslley Nascimento, a iniciativa reforça o compromisso da gestão com o fortalecimento da agricultura familiar e a inovação no campo. “Seguimos apoiando ações que unem conhecimento, cultura e sustentabilidade. O Quilombo Serra Verde mostra que é possível produzir com respeito à terra, fortalecendo a autonomia das comunidades rurais”, destacou.

Caruaru fortalece a agricultura familiar com curso de Caprinocultura em parceria com o Senar-PE

A Prefeitura de Caruaru, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e da Gerência de Assistência Técnica e Extensão Rural, realizou na última segunda-feira (10) o curso de Caprinocultura na comunidade de Macambira Borba, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-PE).

A formação reuniu agricultores e técnicos, oferecendo conteúdos teóricos e práticos sobre manejo, alimentação, sanidade e reprodução de caprinos, com foco no aumento da produtividade e na sustentabilidade das propriedades rurais.

O curso destacou o potencial da caprinocultura como atividade estratégica para geração de renda, segurança alimentar e fortalecimento da agricultura familiar no semiárido.

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Weslley Nascimento, ações como essa reforçam o compromisso da gestão com os produtores. “Investir em capacitação é transformar a realidade das comunidades rurais. Quando levamos conhecimento e tecnologia para o campo, fortalecemos a produção e garantimos melhores condições de vida para as famílias agricultoras”, afirmou.

IEL-PE realiza curso Gestão de Dados para Tomada de Decisão

Nos tempos atuais, os dados são uma fonte rica de informações, podendo ser utilizados na otimização de processos e aumento da eficiência, bem como nas interações das organizações com o mercado. Pensando nisso, o Instituto Euvaldo Lodi de Pernambuco (IEL-PE) realizará, entre os dias 24 e 28 de novembro, um curso on-line e ao vivo voltado para a gestão de dados. O objetivo é auxiliar os participantes a tomarem decisões mais informadas e assertivas, obtendo uma vantagem competitiva e duradoura no mercado.

O graduado em Economia pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e mestre em Ciências de Dados e Inteligência Artificial pelo Data Science Tech Institute (DSTI), Jorge Paixão, irá ministrar o conteúdo, apresentando casos reais de sua vasta experiência no ramo.

Distribuídas ao longo de cinco dias, as aulas ocorrerão no período da noite, das 19h às 22h, seguindo um conteúdo programático voltado para as demandas e situações atuais do mercado através dos temas centrais: Introdução à Gestão Baseada em Dados, Cultura e competências (Pessoas), Infraestrutura (Tecnologia), Curadoria de Dados (Processos), Análises Básicas e Retroalimentação (Negócios). As vagas são destinadas para gestores, analistas e profissionais do Marketing que desejam aprimorar suas habilidades em gestão e análise de dados, impulsionando a performance organizacional, e abrindo caminho para um crescimento sustentável.

As inscrições para o curso já estão abertas, com vagas limitadas. Aproveitando a campanha de Black Friday, os interessados podem garantir sua vaga por R$ 311,20, valor que corresponde a um desconto de 20% aplicado sobre o preço cheio de R$ 389,00. A condição especial é válida para qualquer capacitação do IEL-PE com inscrição feita em novembro.

Serviço
Curso: Gestão de Dados para tomadas de decisão
Data: 24 a 28 de novembro
Plataforma: Zoom
Investimento: R$ 311,20
Inscrições no link: https://capacitacao.ielpe.org.br/gestao-dados-novembro-2025/

AMC realiza ação de conscientização com comunidade escolar nesta segunda-feira (10)

A Autarquia de Mobilidade de Caruaru (AMC) realizou, nesta segunda-feira (10), uma ação educativa em frente ao Colégio Sagrado Coração, na Rua Djalma Dutra. A iniciativa teve como objetivo avaliar e reforçar as mudanças implementadas no trânsito do local, como o novo corredor de embarque e desembarque.

Durante a ação, os pais participaram de uma pesquisa por QR Code. A mobilização contou com agentes de trânsito, arte-educadores e integrantes do Departamento de Educação para o Trânsito da AMC.

Outras atividades semelhantes, como o projeto “Pé na Faixa. Pé no Freio”, estão previstas para esta semana, incluindo uma ação no Colégio Diocesano.

ARTIGO — Prescrição intercorrente: como uma Lei de 2021 está extinguindo milhares de processos de cobrança e o que fazer com relação a isso

Por Prof. Rommel Andriotti

“O Direito não socorre aos que dormem” (Dormientibus non succurrit jus). Dentre tantas repercussões dessa máxima jurídica, há uma pouco conhecida pelo público geral, mas crucial no universo dos processos cíveis: a prescrição intercorrente. Trata-se da extinção do direito de executar civilmente uma decisão judicial ou outro título executivo devido à falta de atos efetivos no processo que visa a cobrança da dívida por um período superior ao prazo prescricional aplicável. É crucial entender que houve uma alteração na lei em 2021. Antes, o processo só seria extinto se o credor não fosse diligente. Entretanto, após essa alteração, essa extinção não decorre mais necessariamente da inércia do credor. Mesmo que ele seja muito diligente, se as buscas por bens penhoráveis ou por localizar o devedor se mostrarem totalmente infrutíferas, a passagem do tempo poderá levar à perda do direito e extinção do processo de cobrança mesmo assim. Desse modo, é fundamental compreender melhor esse instituto, importantíssimo tanto para credores como para devedores no Brasil.

O que é a prescrição intercorrente?

Prescrição intercorrente é uma espécie do gênero prescrição.

Prescrição é um gênero que engloba duas espécies: (i) a prescrição da pretensão; e (ii) a prescrição intercorrente1.

Embora ambas as prescrições se refiram à perda do exercício de um direito pela passagem do tempo, a prescrição da pretensão e a prescrição intercorrente ocorrem em momentos completamente distintos.

A prescrição que todos estão mais acostumados é aquela conhecida como “prescrição da pretensão”, bem conceituada por Nestor Duarte como “a perda da exigibilidade do direito pelo decurso do tempo”2. Só que essa prescrição é aquela que acontece antes do início do processo. Trata-se da perda do direito de acionar a Justiça para cobrar uma dívida ou exigir um direito porque o credor permaneceu inerte por tempo superior ao que a lei estabelece antes do processo começar.

Por outro lado, a prescrição intercorrente ocorre depois que o processo já começou, especialmente na fase de execução, quando o direito do credor já foi reconhecido. Ela é a “prescrição no curso do processo” e acontece quando, mesmo com a ação em andamento, não há atos efetivos para localizar o devedor ou seus bens, fazendo com que o processo fique paralisado por um período igual ao prazo da prescrição original. Em suma, a primeira pune a inércia em iniciar a cobrança; a segunda pune a inércia ou a falta de efetividade em concluí-la.

Apesar de ocorrerem em momentos distintos, uma dúvida comum é se os prazos para a prescrição da pretensão e para a prescrição intercorrente são diferentes. A regra, no entanto, é clara e consistente: o prazo para a prescrição intercorrente é exatamente o mesmo prazo da prescrição da pretensão. O tempo que a lei concede para que o credor inicie a cobrança judicial é idêntico ao tempo que o processo de execução pode ficar paralisado sem um avanço efetivo antes de ser extinto. 1 Esse entendimento, já pacificado há décadas pela Súmula 150 do STF (“Prescreve a execução no mesmo prazo de prescrição da ação”3), foi positivado no Código Civil com a inclusão do art. 206-A4.

Focando agora na prescrição intercorrente, tem-se que essa ocorre quando o credor, após iniciar uma execução judicial, deixa de promover diligências necessárias para localizar o devedor e seus bens por um período igual ao da prescrição da pretensão, ou, mesmo promovendo essas diligências, elas se mostram infrutíferas. André Roque diz que “a prescrição intercorrente é aquela que se consuma no curso do processo judicial, desde que o demandante deixe de promover diligência a seu cargo pelo tempo estabelecido como prazo prescricional para a pretensão, sendo causa de extinção da execução (CPC/2015, art. 924, inc. V)”5. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) já decidiu que “a prescrição intercorrente aplica-se nos casos em que o credor, não apresentando justificativa válida, deixa de promover os atos necessários ao prosseguimento da execução, no prazo previsto em lei”6.

Apesar de o conceito doutrinário e o preceito judicial transcritos acima destacarem a inércia do credor para que haja a prescrição intercorrente, veja-se que, na verdade, a própria lei, após a alteração de 2021, passou a dizer objetivamente que o prazo da prescrição intercorrente começa a correr desde “a ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis” (CPC, art. 921, §4º)7. Aliás, o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ), em outro julgado paradigmático sobre o tema, já tinha asseverado que somente “a efetiva constrição patrimonial e a efetiva citação (ainda que por edital) são aptas a interromper o curso da prescrição intercorrente, não bastando para tal o mero peticionamento em juízo, requerendo, v.g., a feitura da penhora sobre ativos financeiros ou sobre outros bens”. Mesmo assim, a corte deixou claro que os requerimentos feitos pelo exequente dentro do prazo deverão ser processados, ainda que a efetividade do pedido só aconteça depois que já teria transcorrido o prazo prescricional, pois “considera-se interrompida a prescrição intercorrente, retroativamente, na data do protocolo da petição que requereu a providência frutífera”8.

Por exemplo, uma dívida líquida constante de um contrato feito por instrumento particular tem como regra prazo prescricional de cinco anos (art. 206, §5º, I, Código Civil). Se o credor, após iniciar seu processo de execução civil para cobrar essa dívida, não tomar medidas efetivas para localizar bens ou o devedor por cinco anos, a execução pode ser extinta por prescrição intercorrente (art. 924, V, CPC/2015).

Como funciona a prescrição intercorrente no CPC/2015 após a Lei n. 14.195/2021?

O CPC/2015, em seu art. 921, detalha o procedimento da prescrição intercorrente, especialmente nos casos em que o devedor não possui bens penhoráveis ou não é localizado. O juiz pode suspender a execução por um ano (art. 921, §1º), período durante o qual o prazo prescricional também fica suspenso. Se, após esse ano, não houver localização de bens ou do devedor, o juiz ordenará o arquivamento dos autos (art. 921, §2º).

Acontece que o marco inicial para começar a contagem do prazo prescricional não é esse arquivamento ou o fim do período de suspensão citado acima, mas, sim, a partir da “ciência da primeira tentativa infrutífera de localização do devedor ou de bens penhoráveis”, ocasião em que “inicia-se automaticamente o prazo prescricional” (CPC, art. 921, §4º, alterado pela Lei nº 14.195/2021).

Como se percebe, a Lei nº 14.195/2021 trouxe mudanças significativas, estabelecendo que a prescrição intercorrente começa a correr automaticamente, sem necessidade de intimação expressa ao credor lhe dizendo explicitamente que o prazo de prescrição intercorrente começou a correr. Entretanto, no mínimo, o credor necessariamente deve ser intimado de que a medida foi infrutífera, para que ele possa tomar providências, sob pena de ele não poder depois ser penalizado com a prescrição intercorrente, existindo essa possibilidade de nulidade processual que ele pode alegar em seu favor9.

Por ser matéria de ordem pública, o juiz pode reconhecer a prescrição intercorrente de ofício, ou seja, sem que nenhuma das partes tenha alegado, desde que as ouça previamente no prazo de 15 dias (art. 921, §5º).

Vale destacar que o reconhecimento da prescrição intercorrente não gera honorários advocatícios sucumbenciais contra o credor, conforme art. 921, §5º, CPC/201510, e jurisprudência do STJ, servindo como exemplo, entre muitos outros, o seguinte destaque extraído de um dos julgados:

Por outro lado, agora pensando nas hipóteses em que ocorreram medidas frutíferas, é importante destacar que a efetiva citação, intimação ou constrição de bens penhoráveis interrompe o prazo prescricional (art. 921, §4º-A). Interromper a prescrição significa que ela será zerada, ou seja, o prazo começa a correr do zero de novo. Só que, além de ter o prazo reiniciado, a prescrição interrompida (zerada) não correrá enquanto as formalidades para a expropriação do bem penhorado estiverem sendo realizadas. Em outras palavras, o prazo fica suspenso enquanto os procedimentos de expropriação do bem encontrado estão sendo realizados, desde que o credor cumpra seus prazos e não deixe a execução parada12.

Exemplificando, imagine uma execução para cobrar uma dívida com prazo prescricional de 5 anos que esteja sem atos úteis há 4 anos. O credor está a um passo de perder seu direito. Contudo, por meio de uma investigação patrimonial bem feita, ele encontra um imóvel do devedor e o juiz determina a sua penhora. No momento em que esse pedido frutífero é realizado, aqueles 4 anos que já haviam passado são “zerados”. A partir daí, inicia-se o procedimento para avaliar o imóvel e levá-lo a leilão. Durante todo esse período, que pode durar meses ou anos, o prazo da prescrição não corre, ficando suspenso enquanto as formalidades da expropriação acontecem. Essa regra protege o credor que foi eficaz, garantindo que ele não seja punido pela demora do próprio sistema judicial em converter o bem encontrado em pagamento.

O impacto da prescrição intercorrente: desafios para os credores e as novas oportunidades de defesa para os devedores

Embora a prescrição intercorrente seja fundamentada em princípios constitucionais, como a segurança jurídica e a razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, Constituição Federal)13, sua aplicação nem sempre reflete apenas a inércia do credor.

Luiz Dellore faz a seguinte arguta reflexão sobre o instituto: “pela inércia do exequente (que, por vezes, pode decorrer não de sua desídia, mas sim da absoluta impossibilidade de se encontrar o devedor ou bens penhoráveis) aliada à inviabilidade do processo executivo, poderá ser reconhecida a prescrição intercorrente, com a extinção do processo executivo (art. 924, V). É certo que se trata de uma contradição: o Judiciário reconhece que nada pode ser feito, então extingue o processo (resolvendo um problema do Judiciário, um processo que nada obtém), em prejuízo do exequente, sem que a tutela jurisdicional seja devidamente prestada. Mas, de fato, não é racional que o Judiciário tenha milhões de processos que nada atingem. Assim, em verdade, o problema mais está na grande quantidade de impenhorabilidades do que na prescrição intercorrente em si”14.

Além disso, o credor enfrenta custos elevados com diligências, como taxas, custas e honorários periciais, para evitar a aparência de imobilismo. Petições genéricas ou infrutíferas não interrompem o prazo prescricional, conforme decidido pelo STJ: “requerimentos para realização de diligências que se mostraram infrutíferas em localizar o devedor ou seus bens não suspendem nem interrompem o prazo de prescrição intercorrente”15.

Por outro lado, sob a ótica do devedor, essa nova sistemática processual representa uma mudança de paradigma e inaugura uma importante janela de oportunidade para a defesa. É fundamental que os executados estejam atentos a esses novos prazos e contem com o suporte de advogados especializados, capazes de realizar uma auditoria precisa do andamento processual.

A urgência dessa análise se torna clara quando consideramos o marco temporal. A Lei nº 14.195/2021, que alterou o regime da prescrição, foi publicada em 27 de agosto de 2021. Se considerarmos que o prazo prescricional da pretensão passou a correr imediatamente após a ciência da primeira tentativa infrutífera de citação ou penhora ocorrida após essa data, o impacto é iminente16.

Nesse cenário, os processos com prazo prescricional de 3 anos — comuns em dívidas de aluguéis ou títulos de crédito — já podem ter a prescrição consumada a partir de agosto de 2024. Isso significa que milhares de processos podem estar, neste exato momento, correndo para cobrar obrigações que já estão prescritas, sem que credores ou devedores tenham sequer se dado conta.

A situação ficará ainda mais importante em 2026, pois a maior parte das dívidas entre particulares, com prazo de 5 anos (como as de instrumentos contratuais), terá a prescrição intercorrente se consolidando, caso a contagem tenha se iniciado com a vigência da nova lei. Essa análise é crucial, pois o novo regime passou a correr para muitos processos que antes estavam parados, criando um novo marco que coexiste com as regras anteriores e que exige um exame técnico indispensável para cada caso.

Implicações práticas e a importância da investigação patrimonial para credores nesse novo cenário Uma análise apressada do artigo 921 do CPC poderia levar à conclusão de que, após a primeira tentativa de penhora frustrada, o processo é automaticamente suspenso por um ano. Contudo, uma interpretação mais sofisticada, à luz do artigo 314 do CPC — que veda a prática de atos processuais durante a suspensão —, revela uma realidade muito mais dinâmica.

O art. 314, do CPC, determina que “durante a suspensão é vedado praticar qualquer ato processual, podendo o juiz, todavia, determinar a realização de atos urgentes a fim de evitar dano irreparável, salvo no caso de arguição de impedimento e de suspeição”17.

Em assim sendo, se, após a ciência da tentativa infrutífera, o credor continua a movimentar o processo, requerendo novas diligências (consultas SisbaJud, RenaJud, etc.), o processo, na prática, não está suspenso. A contínua prática de atos processuais impede a caracterização da suspensão. Isso nos leva a uma conclusão crucial: pela nova sistemática, é perfeitamente possível que a prescrição intercorrente ocorra sem que jamais tenha havido o período de suspensão de um ano. O prazo prescricional (de 3 ou 5 anos, por exemplo) pode transcorrer integralmente enquanto o credor promove uma série de diligências ineficazes, acreditando estar “movimentando” o processo, quando, na verdade, está apenas vendo seu direito se esvair.

É aqui que a figura do advogado especialista se torna decisiva. Para o credor, a suspensão de um ano deixa de ser uma contagem passiva e se transforma em uma ferramenta estratégica ativa. Um advogado diligente pode requerer expressamente a suspensão do processo pelo prazo de um ano, e com isso obter até um ano de suspensão da prescrição.

Ao fazer isso, ele ganha um verdadeiro “fôlego processual”. Com o processo formalmente paralisado, o credor e sua equipe têm um ano inteiro — livre da pressão de peticionar nos autos — para conduzir uma investigação patrimonial aprofundada e silenciosa, utilizando serviços de inteligência e pesquisa de ativos para localizar bens que, de outra forma, permaneceriam ocultos. Essa estratégia pode ser o diferencial que salvará um caso aparentemente perdido.

Essa complexidade reforça a importância de uma assessoria jurídica e de investigação patrimonial de alto nível. Seja para o devedor, que pode ter seu processo prescrito mesmo em constante “movimento”, seja para o credor, que pode usar a lei a seu favor de forma estratégica, a presença de advogados especialistas em execução civil e recuperação de créditos, bem como de profissionais focados em investigação patrimonial, nunca foi tão essencial.

Para os credores, é fundamental investir em investigação patrimonial detalhada, utilizando ferramentas como buscas em registros públicos, análise de fluxos financeiros e rastreamento de bens ocultos ou pessoas interpostas (“laranjas”), para identificar ativos penhoráveis e manter o processo em movimento com efetividade.

Por outro lado, para os devedores, a prescrição intercorrente representa uma oportunidade significativa para resolver pendências judiciais antigas. Com o reconhecimento da prescrição, processos paralisados podem ser extintos, aliviando obrigações financeiras de longa data. No entanto, para aproveitar essa chance, é crucial o apoio de advogados que dominem a matéria, capazes de argumentar pela inércia do credor ou pela aplicação correta dos prazos, com base em precedentes do STJ e nas novas regras do CPC/2015 e do CC/2002.

Outrora, como bem trazia José Rogério Cruz e Tucci, a prescrição intercorrente obedecia à premissa de que “o prazo prescricional flui em decorrência da inércia do credor”18. Agora, como pontua a Ministra Nancy Andrighi, a realidade é outra totalmente diferente: “a partir da entrada em vigor da Lei n. 14.195/2021, ao contrário do que se verificava na redação original do código, não há mais necessidade de desídia do credor para a consumação da prescrição intercorrente, cujo prazo iniciará automaticamente”19.

Essa mudança de paradigma é crucial: se a prescrição agora corre automaticamente, independentemente da desídia, o credor não pode mais se contentar com uma postura meramente reativa. A antiga prática de protocolar petições genéricas apenas para “movimentar o processo” e “não deixar arquivar” tornou-se completamente inócua. O novo sistema exige providências úteis e efetivas, e estas só nascem de uma estratégia bem definida.

É neste ponto que a investigação patrimonial aprofundada e a representação por advogados especialistas em execução e recuperação de crédito deixam de ser um diferencial e se tornam uma condição de sobrevivência para o credor. Apenas uma análise investigativa minuciosa pode fornecer os subsídios necessários — a localização de um bem oculto, a identificação de um grupo econômico, a prova de uma fraude — para que o advogado possa requerer ao juiz uma medida concretamente útil. Sem essa sinergia entre investigação e especialização jurídica, o credor fica restrito a diligências infrutíferas que não interrompem o prazo de prescrição intercorrente, assistindo passivamente enquanto seu direito, já reconhecido, se esvai com o tempo.

Conclusão

Fica claro, portanto, que a era da advocacia reativa na execução civil chegou ao fim. A máxima de que “o direito não socorre aos que dormem” foi atualizada para uma realidade mais implacável: o direito não socorre aos que não são efetivos. A prescrição intercorrente, em sua nova e automática roupagem, exige uma atuação estratégica, onde cada movimento deve ser calculado para produzir um resultado concreto.

Onde antes bastava a insistência, hoje exige-se a inteligência. Seja para o credor, que precisa transformar dados em ativos, seja para o devedor, que pode encontrar na lei a extinção de uma obrigação perpétua, o caminho para o sucesso está no conhecimento, efetividade e estratégia. Nesse cenário, a sinergia entre uma representação jurídica especializada e uma investigação patrimonial de ponta não é mais um luxo, mas o próprio instrumento que fará com que a Justiça ou o Direito não fique apenas no papel.

*Dr. Rommel Andriotti é advogado, sócio fundador do escritório Rommel Andriotti Advogados Associados, mestre em Direito Processual Civil pela PUC/SP e mestre em Direito Civil pela FADISP. É professor de Direito Civil e Processo Civil na Universidade Presbiteriana Mackenzie e na Escola Paulista de Direito (EPD). Especialista em investigação patrimonial e execução civil, atua em casos complexos de recuperação de créditos e resolução de disputas judiciais cíveis.

Prefeitura de Bezerros promove “Semana do Bebê” 2025

Em alusão ao mês da Primeira Infância, celebrado tradicionalmente em novembro, a Prefeitura de Bezerros, por meio do trabalho intersetorial das secretarias municipais de Planejamento e Inovação, Cidadania, Educação, Saúde e Sala do Empreendedor, promove, entre os dias 10 a 14 deste mês, a “Semana do Bebê 2025”, uma iniciativa de mobilização social que busca assegurar a atenção e o cuidado com crianças de até 06 anos de idade. A culminância será no dia 19 de novembro, com o anúncio do (a) “Bebê Prefeito (a)”, criança que recebe a faixa e chave simbólica da cidade.

As ações da Semana do Bebê tem como objetivo oferecer uma série de atividades voltadas para bebês e gestantes acompanhadas pelo município, com foco no direito à sobrevivência e ao desenvolvimento infantil como prioridade da agenda dos municípios brasileiros certificados pelo Selo Unicef. Serão oferecidas diversas atividades, dentre as quais estão palestras, mutirão de serviços, consultas médicas, atendimentos especializados, testagem rápida, contação de estórias, vacinação, pré-natal, oficinas, recreação, entre outras.

A culminância da Semana do Bebê 2025 será feita durante o 1º Fórum Comunitário do Selo Unicef – Edição 2025 – 2028, que será realizado no dia 19 de novembro, a partir das 08h da manhã, no auditório da Faculdade Vale do Pajeú (FVP). Na ocasião, será apresentada a criança eleita como “bebê prefeita (a)” deste ano. As atividades estão sendo realizadas ao longo da semana em vários equipamentos públicos do município como creches, escolas, Unidades Básicas de Saúde, CRAS,Unidade Mista, espaço A Casa da Mulher, entre outros. Todas as ações são apresentadas para o Unicef como metas concretizadas pelo município.

Por mais um ano, a participação ativa da Sala do Empreendedor do município é marca registrada junto aos empreendedores locais, que apoiam à Primeira Infância. A parceria visa fortalecer o protagonismo do empreendedorismo bezerrense e, de forma especial, contribuir para o desenvolvimento das atividades sociais e a culminância da Semana, com a premiação da criança eleita. São parceiras na edição 2025 da Semana do Bebê as empresas: Ateliê da Sol, Girassol, Gata Baby Story, Biscuilandya, Donna Rosi, MD Bombons, Grupo Sonho, Fabíola Variedades e Minha Sereya.

>>SELO UNICEF

O município de Bezerros reconquistou, no último dia 06 de novembro de 2024, o Selo Unicef, que é uma iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância, reconhece e estimula os esforços dos municípios para garantir que cada criança e adolescente tenha acesso a uma infância digna e cheia de possibilidades. Ao aderir ao selo, Bezerros reafirma seu compromisso de priorizar políticas públicas que visam o bem estar e o desenvolvimento de nossas crianças, adolescentes e jovens cidadãos.