André Ferreira afirma que Anderson irá disputar o Senado de forma avulsa se não tiver acordo com a governadora

O deputado federal André Ferreira (PL) afirmou que o ex-prefeito de Jaboatão, Anderson Ferreira (PL), está decidido a disputar o Senado em 2026 e pode, inclusive, entrar na corrida “avulso”, caso não haja alinhamento com a governadora Raquel Lyra.

A declaração foi dada em entrevista ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios, na qual o parlamentar também reforçou que o PL já está estruturado em torno de dois projetos prioritários: a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e a consolidação do nome de Anderson para o Senado em Pernambuco.

Segundo André, o ex-prefeito tem intensificado agendas pelo estado e aparece como principal representante do campo da direita local. Ele revelou ainda que a pré-candidatura ganhou força após uma convocação direta de Flávio Bolsonaro, em articulação com lideranças nacionais da legenda, como Valdemar Costa Neto e Rogério Marinho.

“Ele foi chamado para representar o sentimento do PL em Pernambuco. Disse que está pronto, preparado e quer disputar”, afirmou o deputado, ao lembrar que Anderson já atendeu a uma convocação semelhante em 2022, quando deixou a Prefeitura de Jaboatão para disputar o Governo do Estado a pedido do então presidente Jair Bolsonaro.

Sobre a possibilidade de composição com Raquel Lyra, André adotou cautela, mas deixou claro que o partido não condiciona sua estratégia a alianças. “Temos respeito pela governadora, mas precisamos entender qual caminho ela vai tomar. Anderson está preparado, inclusive, para disputar de forma avulsa, se for necessário”, disse.

O deputado também destacou o peso estrutural do partido na disputa, citando o tempo de televisão, o fundo eleitoral e o desempenho anterior de Anderson, que obteve quase um milhão de votos na eleição para o governo estadual. Para ele, trata-se de um capital político relevante que coloca o nome do ex-prefeito em posição competitiva.

Ao defender a necessidade de uma candidatura própria ao Senado, André criticou a atuação da bancada pernambucana em pautas recentes no Congresso e reforçou a importância de eleger um representante alinhado ao eleitorado conservador do estado.

Por fim, o parlamentar afirmou que o partido e seus pré-candidatos estão mobilizados e confiantes no projeto. “Existe um sentimento muito forte na população, e Anderson está muito entusiasmado. A gente acredita que ele pode chegar muito forte nessa disputa e conquistar uma grande vitória”, concluiu.

STF avança na análise sobre dever de informar direito ao silêncio em abordagem policial

Sessão plenária do STF - 15/04/2026Foto: Gustavo Moreno/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) deu prosseguimento, nesta quarta-feira (15), ao julgamento do recurso em que se discute a obrigatoriedade de informar o direito ao silêncio no momento da abordagem policial, e não somente no interrogatório formal.  A análise do Recurso Extraordinário (RE) 1177984, com repercussão geral reconhecida (Tema 1.185), foi suspensa por pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Até o momento, votaram o relator, ministro Edson Fachin, e os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, André Mendonça e Nunes Marques.

Caso concreto  

O recurso diz respeito a um casal de São Paulo condenado por posse ilegal de armas e munições. Durante o cumprimento de mandado de busca e apreensão, a mulher teria admitido espontaneamente a posse de uma pistola sem ter sido informada de seu direito de permanecer calada. O Tribunal de Justiça paulista manteve a condenação, entendendo que a advertência seria obrigatória apenas na fase de interrogatório judicial.

Votos anteriores 

Relator do processo, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, votou para acolher o recurso e firmar a tese de que o direito ao silêncio, previsto no artigo 5º, inciso LXIII, da Constituição Federal, é aplicável desde a abordagem policial. Para ele, qualquer declaração colhida sem a advertência prévia de que a pessoa pode permanecer calada é ilícita, assim como as provas derivadas. Fachin considera ainda que cabe ao Estado comprovar que a comunicação foi feita, preferencialmente por meio audiovisual.

O ministro Cristiano Zanin acompanhou o relator quanto à ilicitude das confissões informais sem advertência, mas admite que ela seja dispensada em situações de urgência ou impossibilidade manifesta. O ministro sugeriu o reconhecimento de um “direito qualificado ao esclarecimento” que permita corrigir vícios de comunicação em depoimentos posteriores. No caso concreto, Zanin votou pelo provimento parcial do recurso para retirar as provas ilícitas do processo e remetê-lo à primeira instância, para que o juiz reavalie as demais provas válidas.

O ministro Flávio Dino concordou com o relator apenas na tese de que a advertência é obrigatória, mas apresentou ressalvas de alcance prático. Para ele, o dever de advertir não se aplica a buscas pessoais realizadas nas situações previstas no artigo 244 do Código de Processo Penal (prisão, fundada suspeita de que a pessoa esteja com arma proibida ou vestígios de crime ou no curso de busca domiciliar). Também não cabe, na sua avaliação, em situações como revistas em estádios, aeroportos ou situações emergenciais, nas quais não há interrogatório formal. No caso concreto, Dino votou por manter a condenação.

Elementos 

Na sessão desta quarta, o ministro André Mendonça apresentou voto-vista e apresentou diretrizes de proteção do direito ao silêncio verificadas no Tribunal Europeu de Direitos Humanos que contrastam com o modelo norte-americano. Segundo Mendonça, é necessário diferenciar o momento em que a pessoa pode exercer o direito ao silêncio e aquele em que a autoridade é obrigada a adverti-lo. Para ele, a obrigação surge apenas quando há elementos que indiquem a condição de investigado, prisão ou medida cautelar. No caso concreto, votou por absolver a mulher por insuficiência de provas e manter a condenação do homem.

Ampliação excessiva 

Na sequência, o ministro Nunes Marques acompanhou integralmente a divergência aberta pelo ministro Flávio Dino. Ele ressaltou que o direito ao silêncio já é protegido, mas advertiu para os riscos de ampliar excessivamente as exigências formais. “A realização de busca pessoal e domiciliar em contexto de flagrante não exige que o suspeito seja cientificado de seu direito ao silêncio, sob pena de se esvaziar a atuação policial”, disse.

No caso concreto, Nunes Marques destacou que a confissão informal foi caracterizada na condenação como apenas “reforço argumentativo” diante de um conjunto probatório robusto, como apreensão de armas e laudos periciais. Com isso, votou por negar provimento ao recurso e manter a condenação do casal.

Durante os debates, o ministro Alexandre de Moraes manifestou preocupação com os impactos práticos da tese e pediu vista do processo. Segundo ele, mudanças no procedimento podem ter efeitos amplos na segurança pública. “Qualquer alteração, por menor que seja, terá uma repercussão gigantesca”, afirmou.

Para Moraes, o direito ao silêncio deve ser preservado, mas sem comprometer a eficácia das abordagens policiais, cuja finalidade é evitar “coação direta ou indireta” em interrogatórios.

Lula pede mobilização a centrais sindicais para fim da escala 6×1

Brasília (DF), 15/04/2026 - O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, juntamente com Rick Azevedo e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, durante reunião com dirigentes de centrais sindicais, no Palácio do Planalto. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

No dia seguinte ao envio ao Congresso Nacional do projeto de lei de redução de jornada para no máximo 40 horas semanais (e fim da escala 6×1), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, no Palácio do Planalto, 68 reivindicações de representantes das centrais sindicais que participaram, nesta quarta (15) em Brasília, da “marcha da classe trabalhadora” na Esplanada dos Ministérios.

Na ocasião, o presidente, ao se dirigir aos dirigentes sindicais, disse que é necessária mobilização e pressão dos trabalhadores para aprovação da redução de jornada enviada ao Congresso.

“Vocês não podem abdicar da sagrada responsabilidade de vocês de lutar pelos trabalhadores que vocês representam”, afirmou.  Lula falou que o período é desafiador “Não tem tempo fácil. É sempre muito sacrifício. E cada vez que a gente manda uma coisa para aprovar no Congresso, é preciso saber que vocês têm que ajudar”, justificou.

Burnout

Lula, no evento, homenageou o ativista e ex-balconista Rick Azevedo, que criou o movimento Vida Além do Trabalho, e que acabou dando origem ao projeto de redução de jornada. O presidente chegou a sugerir que, se a lei for aprovada, tenha o nome do ativista.

Ao presidente, Azevedo recordou que teve burnout e depressão com o excesso de trabalho e pouco descanso. “Em 13 de setembro de 2023, eu falei: ‘chega’… Então eu postei um vídeo no TikTok revoltado e denunciando esse modelo de trabalho de seis dias consecutivos para apenas um dia de folga. E o vídeo viralizou”, recordou.

Críticas a retrocessos

Lula aproveitou o encontro com as centrais para criticar as aprovações das reformas Trabalhista (2017) e da Previdência (2019) e também outras, que ele considera retrocessos para a classe trabalhadora.

Para o presidente, a luta dos trabalhadores é mais dura para as centrais sindicais neste momento. Ele ainda alertou que há grupos no Brasil de oposição que defendem reforma semelhante à que foi realizada na Argentina (que incluiu a possibilidade de aumento da jornada para 12 horas diárias de trabalho).

Momento de transformação

Os representantes das centrais sindicais celebraram a decisão do governo de enviar o projeto que acabaria com a escala 6×1. Um deles foi o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, que citou a possibilidade de haver mais mercado de trabalho com a redução de jornada. “Essa medida gera 4 milhões de empregos”, disse.

Para o presidente da CTB, o Brasil tem uma capacidade de se recolocar com uma nova indústria voltada para uma sustentabilidade socioambiental e também pelos processos de desregulamentação. Ele citou o risco altíssimo da pejotização, termo usado para quando um profissional é contratado como pessoa jurídica, mas atuando com funções próprias que deveriam ser regidas pela CLT.

Outro representante que tratou dos temas da necessidade de manutenção dos direitos e da  redução de jornada foi o presidente da Força Sindical, Miguel Torres. Ele celebrou que a marcha mobilizou mais de 20 mil trabalhadores. Torres disse que o projeto já está maduro para entrar em vigor.

“É mais tempo para a família, para a saúde para o lazer, para estudar e para a pessoa”.

Transformações

O coordenador do Fórum das Centrais Sindicais, Clemente Ganz, explicou que a pauta de 68 reivindicações apresentada ao presidente refere-se aos próximos cinco anos. Para Ganz, as categorias devem ter capacidade de olhar o mundo do trabalho em profunda transformação, com mudanças tecnológicas, que impactam o mundo do trabalho como um todo.

“Mulheres e jovens serão os mais impactados pela inteligência artificial e pela inovação tecnológica, segundo os últimos estudos da OIT. Nós temos a mudança climática e a emergência ambiental com impacto sobre o mundo do trabalho”, afirmou.

O presidente da União Geral dos Trabalhadores, Ricardo Patah, citou a necessidade de proteger trabalhadores por aplicativo e entregadores. “É fundamental se preocupar com a vida, com a saúde e com a juventude, que significa o futuro do nosso país”, afirmou.

Também no evento, a presidenta da Nova Central Sindical de Trabalhadores (NCST), Sônia Zerino, afirmou que a pauta da classe trabalhadora deve incluir o combate ao feminicídio. “Nós precisamos fazer esse combate conscientizando a população pela educação”.

Bolsa interrompe sequência de 11 altas e cai 0,46%

09/05/2016
REUTERS/Paulo Whitaker

Num dia de cautela no mercado financeiro, a bolsa de valores interrompeu uma sequência altas e teve leve queda. O dólar ficou praticamente estável, permanecendo abaixo de R$ 5. Na falta de novos sinais no cenário externo, investidores venderam ações para embolsar lucros recentes, enquanto o petróleo teve sessão volátil e fechou perto da estabilidade.

Após 11 pregões consecutivos de alta, o Ibovespa caiu 0,46%, aos 197.738 pontos, interrompendo uma sequência de recordes no ano. Ainda assim, o índice conseguiu se manter acima dos 197 mil pontos.

O movimento foi influenciado por realização de lucros, mas perdas foram limitadas pelo desempenho de ações de grande peso. Na semana, o índice ainda acumula leve alta, de 0,21%. A bolsa brasileira sobe 5,48% no mês e 22,72% em 2026.

Entre os fatores domésticos, dados de inflação mais fortes reforçaram a percepção de juros elevados por mais tempo, o que reduz o interesse por ações. Por outro lado, a diferença de juros entre o Brasil e economias avançadas continua atraindo investidores estrangeiros.

Dólar estável

O dólar à vista fechou praticamente estável, com leve queda de 0,03%, cotado a R$ 4,992, permanecendo abaixo do patamar de R$ 5.

A moeda chegou a superar os R$ 5 no início do pregão, mas perdeu força ao longo do dia. Investidores adotaram postura cautelosa diante da ausência de avanços concretos no cenário geopolítico e econômico global.

O fluxo cambial negativo no início de abril, divulgado pelo Banco Central também pesou, apesar da entrada recente de recursos estrangeiros em ativos brasileiros. No mês, o dólar acumula queda de 3,6%, refletindo maior interesse por risco dos investidores globais em relação às semanas anteriores.

Petróleo volátil

Os preços do petróleo oscilaram ao longo do dia e fecharam próximos da estabilidade, em meio a incertezas sobre o conflito no Oriente Médio e à queda nos estoques dos Estados Unidos.

O barril do tipo WTI, do Texas, avançou 0,01%, a US$ 91,29. O barril do tipo Brent, referência nas negociações internacionais, subiu 0,15%, a US$ 94,93.

O mercado segue atento às negociações envolvendo países da região e à possibilidade de mudanças na oferta global. A redução inesperada dos estoques americanos também contribuiu para limitar perdas, após a forte queda registrada na véspera.

Em 2025, 70% das agressões contra mulheres ocorreram dentro de casa

Painel do Ligue 180. Foto: Ministério das Mulheres/Divulgação

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, do Ministério das Mulheres, registrou, em 2025, 1.088.900 atendimentos, quase 3 mil por dia, o que representa um aumento de 45% em comparação com o ano anterior.

Do total, foram contabilizadas 155.111 denúncias de violência contra mulheres, alta de 17,4% se considerado o mesmo período do ano anterior.

Em 12 meses, o número de denúncias de violência equivale à média diária de 425.

Além de denúncias de violência, o serviço inclui pedidos de informação sobre a rede de proteção às mulheres em território nacional, de políticas públicas e campanhas.

Os dados do Ligue 180 de 2025 foram divulgados nesta quarta-feira (15).

Lar inseguro

Se considerado o total de 155.111 denúncias de violência contra às mulheres, quase 70% das agressões ocorreram em ambiente doméstico, sendo 40,76% dos casos na residência da vítima e 28,58% na casa compartilhada com o suspeito.

A casa do agressor é apontada em 5,39% (8.356) dos registros de violência no Ligue 180.

Outras 4.587 denúncias (2,96%) tiveram como cenário da violência as vias públicas.

As denúncias ainda alcançam o ambiente virtual com 2,96% dos registros de violências contra as mulheres.O levantamento mostra que, em 2025, dois terços (66,3% ou 102.770) das denúncias foram feitas pela própria vítima e outras 26,2 mil (16,9%) notificações chegaram de forma anônima.

Queixas de terceiros como familiares, amigos e vizinhos da vítima somaram 16,8% (26.033). Outros 53 denunciantes foram o próprio agressor.

Rotina de agressões

Os dados indicam também a gravidade da persistência da violência contra a mulher no Brasil:

20,91% (32.435) das mulheres relatam conviver com a violência há mais de um ano;
10,15% (15.740) das denúncias indicam agressões que começaram recentemente, até 30 dias antes.

Quanto à frequência das agressões, o cenário destacado no balanço é de que 31,86% das denúncias (49.424 casos) referem-se a violências que ocorrem diariamente.

O balanço aponta ainda que 8,10% das agressões (12.561) acontecem semanalmente e 1,82% (2.817) mensalmente.

Outras 17,39% das vítimas (26.980) sofreram agressões ocasionalmente, enquanto 10,50% (16.288) registraram uma ocorrência única.

Em 25,38% dos registros (39.367), não houve informação sobre a periodicidade das violações.

Face das vítimas

A violência estrutural contra a mulher no Brasil é pior para as mulheres negras (pretas + pardas), quando analisado fator raça/cor das vítimas das denúncias feitas à central de atendimento.

As mulheres negras somam mais de 43,16% dos episódios de violência relatados, sendo que 51.907 (33,46%) denúncias dizem respeito a mulheres pardas e 15.046 denúncias de mulheres pretas (9,70%).

As mulheres brancas correspondem a cerca de um terço (32,54%) das denúncias computadas no Ligue 180, com o total de 50.474 registros.

As mulheres amarelas aparecem em 807 registros (0,52%) e as indígenas em 488 ocorrências (0,31%).

A subnotificação é expressiva também. Em 36.389 casos (23,45%), não houve declaração sobre raça/cor.

Vítimas

Embora a violência contra a mulher atravesse todas as idades, os dados apontam um pico da vulnerabilidade de 26 aos 44 anos. Esse corte etário concentra 57.673 denúncias, o equivalente a 37,19% de todas as denúncias registradas.

A maior incidência ocorre entre o grupo de vítimas de 40 a 44 anos, com 15.117 denúncias (9,75% do total).

Logo após, a faixa etária de 35 a 39 anos teve 14.594 casos (9,41%) de violências. A seguir, figuram o segmento de 30 a 34 anos, com 14.173 denúncias (9,14%), e imediatamente após, estão as vítimas com idades de 26 a 29 anos com 13.789 ocorrências (8,89%).

A variação do percentual ao longo de quase duas décadas de vida das mulheres (de 8,89% a 9,75%), indica um patamar quase inalterado de mulheres atingidas por violências.

Tipos de violência

O governo esclarece que, de acordo com a metodologia da central de atendimento à mulher, uma única denúncia pode conter mais de um tipo de violência simultaneamente.

Por isso, das 155,1 mil denúncias atendidas no Ligue 180, o sistema registrou 679.058 violações, o que representa um aumento de 18,5% em comparação ao ano anterior, quando haviam sido registrados 573.131 casos de violência.

Dentre as formas mais recorrentes, a violência psicológica ocupa o topo da lista, respondendo por quase metade dos registros com mais de 339 mil casos (49,9%). Em seguida, aparece a violência física, com mais de 104 mil ocorrências (15,3%).

O balanço também detalha outras graves violações, no período:

a violência patrimonial com 36.938 casos (5,4%),
a violência sexual atingiu 20.534 registros (3,0%), sendo 8.172 episódios tipificados como importunação sexual (1,2%).
2.621 ocorrências de sequestro ou cárcere privado, representando 0,4% do total de violações reportadas.

O Ministério das Mulheres contabiliza que 75,9% dos casos são englobados pela Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) LINK 1 , ou seja, de mulheres em situação de violência doméstica e familiar.

Violência vicária

Dados do Ligue 180 revelam que, em 2025, foram registradas 7.064 denúncias de violência vicária, o que representa 4,55% do total de 155.111 denúncias.

Essa prática ocorre quando o agressor utiliza filhos, parentes ou pessoas próximas como instrumento para causar sofrimento psicológico à mulher.

Somente nos três primeiros meses de 2026, os casos em que agressores usaram terceiros para atingir psicologicamente as mulheres saltou para a 7,77% (3.552) do total de 45.735 denúncias de todas as violências registradas no Ligue 180.

Em abril deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 15.384/2026 , que tipifica o crime de vicaricídio entre as formas de violência doméstica e familiar e o inclui no rol dos crimes hediondos, com pena de reclusão de até 40 anos.

Regiões

A Região Sudeste concentra 47,4% das denúncias do país, com quase metade do total.

Com 18,2% das ocorrências, o Nordeste mostra um crescimento na utilização do serviço, liderado pela Bahia e Pernambuco.

O Centro-Oeste registrou 17.869 ocorrências (11,5%), com o Distrito Federal aparecendo em quarto lugar no ranking nacional (9.270 denúncias), à frente de estados muito mais populosos.

A região é seguida pela Sul, com 15.843 denúncias (10,2%). Por fim, a Região Norte contabilizou 9.391 casos, percentual de 6,0% do total.

Considerando os estados individualmente, os maiores números de denúncias em 2025 foram:

São Paulo, com 34.476  registros;
      Rio de Janeiro, com 22.757;
      Minas Gerais, 13.421.

Dados de 2026

No primeiro trimestre de 2026, a Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 registrou aumento de 23% nas denúncias de violência contra mulheres e 14% nos atendimentos.

No período, foram 301.044 atendimentos e 45.735 denúncias de violência.

No mesmo período de 2025, foram contabilizados 263.889 atendimentos e 37.139 denúncias.

O Ministério das Mulheres mantém atualizado o Painel de Dados – Ligue 180 com informações sobre o perfil dos atendimentos realizados pela Central de Atendimento à Mulher, em especial, das denúncias de violência contra a mulher.

Como denunciar

Pedidos de ajuda e denuncias de casos de violência doméstica e contra a mulher podem ser feitas na Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, que pode ser usado por mulheres em situação de violência ou qualquer pessoa que queira denunciar uma situação de violência contra a mulher.

O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br .

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (Deam), em delegacias de Polícia e nas Casas da Mulher Brasileira.

Ainda é possível pedir ajuda por meio do Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e pelo 190, número da Polícia Militar do seu estado.

Ex-deputado Ramagem é solto após ficar dois dias preso nos EUA

Brasília (DF), 05/06/2025 - Alexandre Ramagem particiapa de interrogatórios dos réus da Ação Penal (AP) 2668 no STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi solto nesta quarta-feira (15) após passar dois dias preso nos Estados Unidos, onde está foragido das autoridades brasileiras.

Na segunda-feira (13), Ramagem foi abordado por agentes do serviço de imigração, conhecido pela sigla ICE (Immigration and Customs Enforcement), e ficou detido na cidade de Orlando, no estado da Flórida.

O nome do ex-parlamentar não consta mais nos registros de presos da região.

As razões que levaram à soltura de Ramagem não foram divulgadas pelo órgão norte-americano.

Ramagem é alvo de um pedido de extradição feito pelo Governo brasileiro às autoridades dos Estados Unidos.

Fuga

Em setembro do ano passado, Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), fugiu do país para evitar o cumprimento da pena de 21 anos de prisão pela trama golpista ocorrida durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Durante a investigação sobre a trama golpista, ele foi proibido pelo STF de sair do país. Segundo a Polícia Federal, Ramagem fugiu pela fronteira com a Guiana e embarcou para os Estados Unidos com passaporte diplomático, que não estava apreendido.

No final do ano passado, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados declarou a cassação do mandato de Ramagem. A Constituição determina que a Casa declare a perda do mandato de parlamentar em função de condenação criminal.

Governo propõe salário mínimo de R$ 1.717 em 2027

Dinheiro

O Governo Federal propôs um salário mínimo de R$ 1.717 para o ano que vem, com aumento nominal de 5,92%. O valor consta do Projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2027, enviado nesta quarta-feira (15) ao Congresso Nacional.

O reajuste segue a projeção de 3,06% para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) para os 12 meses terminados em novembro mais o crescimento da economia em 2025, limitado ao crescimento de gastos de 2,5% acima da inflação, determinado pelo arcabouço fiscal. A estimativa para o INPC também consta do PLDO.

O projeto também apresentou previsões de R$ 1.812 para o salário mínimo em 2028, de R$ 1.913 para 2029 e de R$ 2.020 para 2030. As projeções são preliminares e serão revistas no PLDO dos próximos anos.

Em 2023, o salário mínimo voltou a ser corrigido pelo INPC do ano anterior mais o crescimento do PIB, soma das riquezas produzidas pelo país, de dois anos antes. Essa fórmula vigorou de 2006 a 2019. Por essa regra, o salário mínimo aumentaria 2,3% acima do INPC.

O pacote de corte de gastos aprovado no fim de 2024, no entanto, limitou o crescimento. Isso porque o salário mínimo entrou nos limites do arcabouço fiscal, que prevê crescimento real (acima da inflação) dos gastos entre 0,6% e 2,5%. Como o crescimento de 2,3% no PIB está abaixo do teto de 2,5%, a expansão da economia em 2025 poderá ser aplicada.

OPINIÃO — ESSA ROUPA NÃO VAI VESTIR

FOTO: ALFEU TAVARES/FOLHAPE

A estratégia de formação da chapa oposicionista está clara: nacionalizar a eleição e imputar a Raquel a imagem de bolsonarista. Não vai colar.

Durante entrevista a uma emissora de Caruaru, o deputado estadual João Paulo jogou um balde de água fria nessa estratégia. Não só defendeu a gestão Raquel, com elogios à equipe e às entregas, como também discordou veementemente de que a governadora tenha qualquer aproximação com o bolsonarismo. Essas declarações mostram que a tentativa não deve avançar nem mesmo dentro da própria chapa.

Uma divisão, já esperada, entre membros do Partido dos Trabalhadores deve esfriar qualquer jogada eleitoral nesse sentido. Se prefeitos petistas, ou até deputados como João Paulo, não pedirem votos de forma declarada para Raquel, podem fazê-lo de maneira silenciosa, evidenciando o desconforto de estarem na chapa oposta. Isso, por si só, enfraquece qualquer narrativa construída nessa linhade nacionalização eleitoral.

Também pesa o vínculo de Raquel com a esquerda pernambucana. Seu pai já integrou o próprio PT, passou por outros partidos que deram sustentação à esquerda de Miguel Arraes e foi vice-governador ao lado de Eduardo Campos. Raquel acompanhou os passos do pai no início da vida pública e só migrou para um partido de centro, o PSDB, por necessidade eleitoral, trajetória amplamente conhecida em todo o estado.

O pré-candidato ao governo de Pernambuco, João Campos, tem feito reiteradas declarações que não dialogam com a própria história da política pernambucana. Se seguir por esse caminho, indica uma estratégia eleitoral frágil e que pode caminhar para repetir o desfecho da prima em 2022.

João Godoy comemora avanço do piso salarial da Odontologia no Senado Federal

O presidente do Conselho Regional de Odontologia de Pernambuco (CRO-PE), João Godoy, acompanhou de perto, em Brasília, mais um passo importante na valorização da categoria. O Projeto de Lei nº 1.365/2022 foi aprovado por unanimidade, nessa terça-feira (14), na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal. Para a próxima fase da tramitação, uma articulação conduzida pelo CRO-PE, com apoio do deputado federal Waldemar Oliveira, garantiu o senador pernambucano Fernando Dueire na relatoria da matéria na Comissão de Assuntos Sociais do Senado.

A proposta atualiza a legislação referente ao piso salarial de médicos e cirurgiões-dentistas no país e representa uma reivindicação histórica das categorias. O CRO-PE integrou a mobilização nacional durante a Quarta Caravana do SUS, que reuniu profissionais de diversos estados em defesa de melhores condições de trabalho. “Reunimos uma das maiores delegações do Brasil pelo piso salarial da Odontologia, porque isso não é só sobre salário. É sobre dignidade, respeito e reconhecimento para quem cuida da saúde da população todos os dias”, ressaltou Godoy.

Com a aprovação na CAE, o projeto segue agora para análise da Comissão de Assuntos Sociais do Senado, mantendo a expectativa positiva entre lideranças da Odontologia brasileira. Além da delegação pernambucana, João Godoy esteve acompanhado do deputado federal Lucas Ramos, apoiador da causa, do presidente do CFO, Jairo Santos, do coordenador nacional de Saúde Bucal, Edson Hilan, e do ex-presidente do CRO-PE, Eduardo Vasconcelos.

Governadora Raquel Lyra destaca chegada da empresa AeC a Caruaru com geração de mil novos empregos no Agreste

A governadora Raquel Lyra assinou, nesta quarta-feira (15), um protocolo de intenções para a chegada da empresa AeC ao município de Caruaru, no Agreste Central, com a previsão de geração de mil empregos diretos. A iniciativa, viabilizada por meio da articulação da Agência de Desenvolvimento Econômico de Pernambuco (Adepe), prevê um investimento inicial de R$ 9 milhões e reforça a estratégia estadual de descentralização das oportunidades e fortalecimento da economia no interior.

Até o momento, o projeto em Caruaru já gerou 250 vagas de empregos diretos, e outras 350 pessoas estão em fase de seleção. Interessados podem se inscrever através do link: https://sou.aec.com.br. “A AeC tem mais de 60 mil pessoas trabalhando no Brasil e agora chega a Caruaru, gerando mil empregos diretos. É trabalho chegando perto de casa, oportunidade para quem busca o primeiro emprego e também para quem quer voltar ao mercado. Pernambuco está de portas abertas para quem quer investir, gerar renda e ajudar a transformar a vida da nossa gente”, declarou a governadora Raquel Lyra.

O protocolo foi assinado com a presença de diretores e acionistas da empresa. A nova unidade operacional da AeC, uma das líderes nacionais em tecnologia e gestão de relacionamento com clientes, deve iniciar suas atividades até o fim de 2026, ampliando a presença do setor de serviços e tecnologia fora da Região Metropolitana do Recife e consolidando o Agreste como polo de desenvolvimento.

Com mais de três décadas de atuação no Brasil, a AeC é reconhecida pelo impacto social, especialmente na geração do primeiro emprego e na promoção da diversidade e planeja expandir os negócios pelo Sertão do Estado. “Estamos muito felizes de chegar em Pernambuco, estamos sendo recebidos de portas abertas pelo Governo do Estado e pela prefeitura de Caruaru, que foi escolhida pela sua população e pela infraestrutura. Acredito que vamos ter um grande sucesso aqui e temos vontade de ir ainda mais para o interior, gerando oportunidades”, explicou o fundador da companhia, Antônio Guilherme Noronha.

Segundo a secretária de Desenvolvimento Econômico, Danielle Jar Souto, a chegada da AeC em Caruaru integra a política da gestão de atração de investimentos estratégicos, com foco na geração de emprego e renda, para além da Região Metropolitana. “É necessário para que aconteça a interiorização da nossa economia. Isso vai potencializar mais de mil empregos e vai aumentar consideravelmente a possibilidade das pessoas que moram nessa região terem acesso ao primeiro emprego, a dignidade, carteira assinada, que é o sonho de todas as pessoas que estão no mercado de trabalho”, afirmou a titular da pasta.

O projeto também prevê ações de capacitação profissional, preparando trabalhadores da região para atuar em áreas como atendimento remoto, suporte técnico e soluções em tecnologia da informação. “O projeto deles é muito fantástico com relação a ser a primeira oportunidade de emprego e dar também a chance de pessoas que ainda estão na faculdade ou até aquela mãe que quer voltar a trabalhar depois de um tempo”, explicou Roberta Andrade, diretora-presidente interina da Adepe.

A chegada da empresa também conta com o apoio da Prefeitura de Caruaru. Para o prefeito Rodrigo Pinheiro, a ocasião mostra como a parceria entre Estado e município pode impulsionar o desenvolvimento regional e ampliar as oportunidades para a população local. “Pernambuco vem dando exemplos de como os incentivos através do poder público aumentam as oportunidades para a geração de emprego e renda. Aqui estamos falando de um call center que vai dar a oportunidade de termos mais empregos disponibilizados em nossa cidade, principalmente para os jovens”, frisou.

Também acompanharam a assinatura o secretário de Relações Institucionais de Caruaru, Gilvan Calado; o CEO da AeC, Raphael Duailibi, e o diretor financeiro Guilherme Carrara.